Sonhos x projetos de vida: O que o último homem a pisar na Lua disse sobre isso

Sempre sonhei em conhecer o MIT (Massachusetts Institute of Technology, em Cambridge, EUA). Um sonho de quem aprecia a tecnologia desde tenra idade, e ouvia falar da grandeza acadêmica desse ninho de prêmios Nobel e de inovações que afetam a vida de todo mundo. Qualquer um, como eu, consideraria este sonho praticamente impossível de se realizar.

Pois bem. Em 1997, durante o intervalo de uma aula, passei os olhos pela revista Wired em uma visita à biblioteca de minha escola. Já na época a revista era marcadora de tendências tecnológicas e disseminadora da cultura digital. Eram os dias da expansão da Internet.

A última página era reservada para a coluna de Nicholas Negroponte, guru digital. Nessa edição específica ele falava da reunião que estava sendo organizada no MIT Media Lab, com representantes do mundo todo, para socializar experiências de emprego de tecnologia na educação e na redução das desigualdades sociais. Era a chamada Fundação 2B1 (to-be-one), que estava sendo estabelecida. Interessados deveriam enviar currículo e descrição do próprio trabalho, na linha de atuação desejada.

Eu bem poderia ter encerrado a leitura aí, e voltado para minha sala de aula. Foi o que quase fiz. Mas uma rápida reflexão me provocou: por que não?

Fui à unidade de reprodução gráfica e pedi cópia do artigo. E no dia seguinte rabisquei algo sobre a experiência social que minha escola realizava com crianças e jovens socialmente vulneráveis. E era a minha equipe quem dava o suporte tecnológico para tal iniciativa.

“Muito pouco para me levar ao MIT”, pensei. Mas mesmo assim enviei as informações solicitadas, para o endereço eletrônico indicado.

E qual não foi minha surpresa quando, alguns dias depois, recebi e-mail da equipe de Negroponte dizendo do aceite de minha proposta de estudo de caso, e me fornecendo os dados para a aquisição da passagem aérea e a obtenção do visto de entrada nos Estados Unidos! Passei dez dias lá, fiz contatos de inestimável valor, e fui um dos membros fundadores do 2B1, além de conhecer o MIT, claro!


O que são, de fato, os sonhos? Realidades quase sempre impossíveis de se concretizar? Nem sempre. A oportunidade (como aquela que me surgiu numa noite de rotina de trabalho), mais a iniciativa (de ter ido atrás das variáveis e restrições que se relacionavam ao problema), me permitiram transformar um sonho em realidade. É claro que é preciso atender a algumas condições para isso. É preciso estar minimamente preparado para tal realização, e isso pode ser obtido pela capacitação prévia e permanente para que os projetos de vida encontrem campo fértil para florescer.
Mas, antes de tudo, é preciso acreditar no seu potencial. Os americanos utilizam uma expressão interessante para pessoas pessimistas diante de um desafio profissional: imposter syndrome. Pensar que somos incapacitados para algo, e que estamos supostamente enganando as pessoas, quando temos, na verdade, a competência para tal!


Mas o que disse, afinal, o último homem a pisar na Lua, Eugene Cernan, astronauta da missão Apollo 17, que possa estar relacionado a este texto? Afirmou, no final da vida: “Você só saberá suas capacidades se tentar. Sonhe com o impossível e arregace as mangas para fazer isso acontecer. Eu caminhei na Lua. O que você não pode fazer?”

Busque seus sonhos, mas esteja preparado para eles.

07.01.2020

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